A menininha trazia consigo um coração que ainda pulsava. Sangrava, mas estava em boas mãos e por boas intenções.
Ainda estava perdida, mas sabia que não estava sozinha e que o coração não estava ali sem razão.
A mulher mais velha de cabelos compridos e olhos claros estava sentada num banco, como se já fizesse parte dele.
Quem estava ao redor, se concentrava em sua tristeza, e as coisas ao redor nada significavam. Cada um recolhido em sua dor, em seu corte profundo.
Mas aquele coração... Aquilo ali sginificava vida. Vida nova, vida a quem não tinha.
Porque viver e existir são coisas distintas. E ali, naquele amontoado de gente, só estavam passando o tempo.
Nada mais importava, nada sentiam. Anestesia de vida
A menininha frágil entrou ali e absorveu toda a tristeza pra ela. Os olhos encheram-se de lágrimas, lágrimas de sangue. A mulher foi acudir.
Não, ela não estava chorando por estar ali. Chorava porque havia esmagado o coração. De tanto remorso, ao ver aquelas pessoas, transferiu sua raiva ao que havia nas mãos.
E a mulher apenas acolheu a mais nova habitante da cidade mais melancólica do mundo.