Tomo mais café do que água. Sou melhor durante a noite. Amo Português, História e Sociologia. De tanta aversão, acho que vou fazer Psicologia. Sou viciada em leite em pó desde quando me
entendo por gente. Transtorno bipolar do humor. Opinião forte e formada. Gosto de vermelho, preto e branco. Não gosto de rotinas, mas eu sou meio metódica. Contraditória sempre. Ou não.
Escrevo porque eu não aguento mais falar pra quem finge me ouvir. Escrevo pra me libertar de sentimentos não tão ruins nem tão bons. Calor me faz mal. Aprecio com prazer o poder da solidão.
Sou melhor sozinha, e espero morrer assim. Eu me acho uma merda, nada de auto-estima. Gosto de brócolis, de música clássica e solos de Flugelhorn. Meu carro preferido é o Fusca, acho super
digno. Gosto de barbudos com cabelo comprido e voz grossa. Eu tenho que expressar melhor meus sentimentos para com a minha família, e tentar controlar a fúria. Ouço música no mais alto volume,
e ao ver que estou incomodando, começo a cantar alto. Minha gata Inês tá perdida, tô me sentindo uma péssima mãe. Eu não tenho pena de ninguém e sou que nem o Senhor da Guerra: não gosto de crianças.
O frio transcende minha alma, fico em paz comigo mesma. Queria ter uma Harley, mesmo com medo de moto. Tenho aracnofobia, asma, pneumonia, bronquite e outras doenças respiratórias infernas. O Carlton
é um amigo de um passado não tão distante. Não gosto de praia, mas acho ótimo ficar andando na areia de noite, com o vento tentando espiar alguma coisa. Queria ter um apartamento mobiliado perto
do Alameda, e quando eu quisesse ficar um tempo sem ver ninguém ou qualquer coisa do tipo, ir correndo pra lá. Não sei o porquê, mas o centro de Taguatinga me atrai. Humor inteligente, adolescência clichê.
Unhas vermelhas, pretas ou roxas. All Star, Melissa ou Havaianas. Camiseta de banda, calça jeans. Sou previsível e cansativa. Não consigo manter relações (qualquer tipo) durante muito tempo, eu sempre
fico me fazendo de estúpida ou ignorante até que a pessoa se canse e desista de mim... Até que eu tenho jeito. Não consigo confiar em gente feliz, odeio gente com bom humor, com muitos amigos, com uma vida fútil e perfeita,
simples e sem dificuldade. Não gosto da Globo, não curto surf, e nem bandas brasileiras evangélicas. Sou católica mal-resolvida. Detesto esse povo que vive em função do que os outros dizem, que se preocupam com opinião alheia.
Seja e pronto, oras. Meu amor pelo rock n' roll surgiu a partir dos pequenos furtos de cds do meu pai. Saudade pra mim é a coisa que mais dói, agora eu sei o sentido disso. Gosto de vento, de chuva, de frio,
de coisas tristes, músicas fúnebres. Gosto da escuridão. Tenho tido pesadelos há mais ou menos um mês, e eles tem uma certa continuidade que me assusta. Gosto de moda urbana, do estilo de vida nas grandes cidades.
Gosto de travestis, queria ser drag queen por uma semana. Acho legal os hippies no meio da Comercial oferecendo brincos e pulseiras pra poderem manter seus vícios. Sou adepta à: "viva rápido, morra jovem".
Tenho centenas de paixões platônicas que mudam a cada semana. Gosto de coisas antigas. De pessoas antigas. Eu acho que sou mais velha do que aparento, e fico muito satisfeita com isso. Quando eu olhar pra minha
mãe, vou ficar com vergonha de mim. Normalmente eu sinto que não mereço o amor incondicional que ela tem por mim. Mas nenhuma neura por todo mundo saber que eu prefiro meu pai. Admito que eu quero abraçar
o mundo com os braços e que meus braços são curtos. Mas a minha cabeça vive a mil por hora, continuo absorvendo problemas e dores alheias e me ferindo mais do que todos. Maldito sentimentalismo.
Tenho sonhos inacabados. Imagino uma situação perfeita, pessoas legais, num lugar bacana... Mas nunca me vejo ali. Tenho medo do futuro, tenho medo do mesmo, tenho medo da vida. Tenho sede de viver.
Eu acho ridículo isso de só passar os dias, e é o que eu tenho feito desde sempre. Queria fazer alguma coisa perigosa, com adrenalina. Algo que quando eu me lembrasse, pudesse sorrir com saudade e lembrar do quanto
foi bom. Eu gosto de tristeza, de pranto, de morte. E suicídio me passou pela cabeça inúmeras vezes. Já me cortei pra me concentrar na dor e no sangue escorrendo.
Eu não mudei muito. Normalmente eu assusto as pessoas. Sempre pensam algo sobre mim quando me olham, e quando sabem mais alguma coisa, acabam com medo. Eu adoro ser temida, ser do contra, fazer careta.
É claro que as mudanças acontecem, isso é natural. Mas o que me faz ficar em pé, viva... É o que ainda me atormenta, é o que eu procuro saber. Tenho certeza que eu sou só mais uma, embora quisesse que fosse diferente.
Eu não mudei muito, continuo achando tudo uma merda.