Dizem que estou perdendo os melhores anos da minha vida por estar sempre em casa.
Não me entendem, não me conhecem e mesmo assim, continuam falando coisas àsperas pra mim.
Ninguém nunca vai saber do medo que eu sinto em sair de casa, e não poder voltar por ter acontecido alguma coisa ou
ter acontecido com alguém que estava me esperando.
Esse é o meu jeito tosco de demonstrar amor: estar perto, mesmo que minha companhia seja desagradável.
Prefiro estar perto pra poder ver o que sentem do que causar lágrimas por ter ido sem me despedir.
Ninguém nunca vai saber o tamanho do meu nojo por festinhas e meninas vulgares. É, eu não gosto desse tipo de gente.
E eu também não gosto de música da moda e nem das roupas.
Será que eu posso ser assim e ficar em paz?
Criticam o meu jeito calado, estranho e triste.
Eu não preciso ficar mostrando meus dentes e nem fingindo simpatia.
Eu fujo dos padrões que tentam me impor desde sempre. Eu não sou que nem todo mundo. NÃO SOU!
Não entendem nem isso?
Gosto de estar sozinha, gosto de ficar em casa, gosto de pessoas inteligentes, gosto de ser do jeito que sou.
E outra, minha fé está se dissolvendo, sim. Mas é MINHA, quem tem que se preocupar sou eu.
O problema é que as outras pessoas são tão iguais, tão comuns que quando aparece alguém com uma idéia diferente que seja, tentam manipular
até que se encaixe na "normalidade". E quem tem mente fraca acaba caindo.
Espero realmente que seja só isso.
Vou continuar sendo contra esta situação até quando morrer.
E a minha mãe bem que podia levar tudo isso em conta. Sobre o fato de eu ser um pé no saco, uma chata, uma jovem idosa, e afins... É melhor eu ser assim do que
ir me buscar na delegacia, ficar preocupada porque eu tô na "night" fervendo, etc.
Eu prefiro livros de presente do que um sapato de bico fino, salto alto e roupas que não tapam nem a pseudo dignidade.
Se eu tô perdendo os melhores anos da minha vida é tentando preservar o meu futuro.
Não serei portadora de alguma síndrome, doença venérea, ou o que seja.
Sou assim, o jeito é ser.