Tem horas que eu não me suporto, tem horas que eu acho que mereço um prêmio. Não gosto de muitas coisas em mim, mas eu não sei apreciar o que pode ser bom. Gasto muito tempo fazendo coisas que outras pessoas julgam ser inúteis. Não gosto de indiretas, não gosto de frescura. Bem difícil eu achar algo que goste... Mas quando eu gosto é de verdade, é profundo e dura por muito tempo. Poucas pessoas me conquistaram até hoje, e sou fiel a elas. Sinto que tenho que ser protetora, mas nada de obsessão. Não sei, sinto que eu tenho que mantê-las bem e longe de gente que possa fazer mal. Eu tenho medo de perdê-las. As pessoas que eu não gosto sabem disso. Tenho ciúme do senhor meu pai, fato comprovado. Descobri que também tenho ciúme das músicas que escuto, das bandas que antes eram tão desconhecidas... Tenho ciúme das minhas paixões platônicas, das minhas coleções. É tão mais fácil alguém tirar um pedaço meu do que alguma coisa que eu gosto. Eu não me dou muito valor, mas as coisas que tenho conquistado, tenho mantido perto de mim são preciosas. Tá ai, também não ligo pra coisas materiais, acho que se torna uma prisão. Eu quero a liberdade de poder escolher a qual vício me entregar. Por mais que eu não me orgulhe de mim, eu já fui pior. Minha ingenuidade em algumas coisas já me confundiu muito, minha falta de paciência também. Devia ter nascido feito bicho, ia ser um gato vagabundo que ia perturbar por fazer tanto barulho. Ia miar quando triste. Não podem tirar a voz da tristeza em animais. Quando a gente que é gente fica triste, tem que sofrer calado. E não pode nem falar com um amigo porque ele vai estar mais ocupado fazendo outra coisa. Mas se quando triste, eu conversasse com um gato, ele não me deixaria falando sozinha. Pra quem estivesse observando, estaria louca. E para mim, estava ali, de frente a um amigo de verdade. Eu não ia ser um gato bonito, eu tô longe desse negócio de beleza. Tem gente que não gosta de gato. Tem gente que não gosta nem de gente